A insegurança alimentar e nutricional é consequência da falta de reconhecimento

do direito à alimentação para uma determinada população, traduzindo-se numa

insuficiente ingestão de alimentos devido à impossibilidade de os adquirir, seja por

falta de abastecimento dos mercados locais, por falta de capacidade para os comprar

ou produzir, ou por ambas as circunstâncias simultaneamente.

A situação de insegurança alimentar pode ser:

• transitória, quando ocorre em épocas conjunturais de crise;

• crónica, quando acontece de forma continuada; e

• sazonal, quando ocorre de forma transitória mas recorrentemente, ou seja, com uma

duração limitada mas seguindo uma sequência previsível de eventos conhecidos.

Para realizar uma avaliação da insegurança alimentar e nutricional é necessário saber:

• quem passa fome ou está em situação de insegurança alimentar e nutricional e sua

localização;

• quem integra os setores em situação de vulnerabilidade e sua localização; e

• porque se encontram nesta situação: análise da causalidade.

Para o efeito, devemos ter conhecimento do número de pessoas em situação

de insegurança alimentar e nutricional e dos lugares onde se concentram. É conveniente

ter presente que podemos deparar-nos com outros termos e conceitos relacionados,

tais como fome, subnutrição, desnutrição, malnutrição, fome oculta, etc.

CONCEITOS RELACIONADOS COM A INSEGURANÇA ALIMENTAR

Fome

Denominação geral com a qual se faz referência a uma situação

de baixo consumo alimentar ou desnutrição, habitualmente crónica.

Segundo a FAO, “O conceito de fome costuma utilizar-se em

situações de intensa privação de alimentos relativamente a diversas

formas de desnutrição, entre elas as devidas a um acesso limitado

à quantidade suficiente de alimentos e a um défice de nutrientes

essenciais presentes nos alimentos necessários desde o ponto de vista

nutricional, o que se repercute nas faculdades físicas e mentais da

pessoa ou pessoas afetadas”

Fome generalizada

Processo relativamente prolongado de crise sócio-económica,

consistindo no progressivo empobrecimento dos grupos mais

vulneráveis e na deterioração dos seus sistemas de subsistência

com um aumento massivo da fome. O processo também implica

deslocações da população, a propagação de epidemias, a

desestruturação comunitária, e, nos casos mais graves, um aumento

da mortalidade da população

Fome oculta

É a carência de micronutrientes, em particular minerais e vitaminas

(ferro, iodo, vitamina A…). O termo “oculta” refere-se aos casos leves e

moderados, nos quais não surgem sinais visíveis e as pessoas que

a sofrem desconhecem essas carências.

Subnutrição

Também chamada fome crónica. Estado nutricional caraterizado por

uma continuada insuficiência na ingestão de alimentos, com um valor

calórico que não chega para satisfazer as necessidades mínimas de

energia alimentar. Pode produzir um enfraquecimento do sistema

imunitário que torna as pessoas mais vulneráveis às doenças.

É difícil determinar o valor calórico necessário, já que esta depende

de muitos fatores, como a idade, o sexo, a atividade, as condições

fisiológicas, etc. No entanto, a Organização Mundial de Saúde estima,

de forma genérica, um valor calórico de 2.000 a 2.500 quilocalorias/dia

para um homem adulto e de 1.500 a 2.000 para uma mulher.

Desnutrição

É o resultado da subnutrição, da má absorção e/ou da má utilização

biológica dos nutrientes consumidos.

QUEM PASSA FOME?

Nos relatórios que a FAO realiza periodicamente sobre o estado da insegurança alimentar

no mundo são apresentadas as estimativas relativas ao número de pessoas subnutridas.

Ou seja, a FAO mede a fome como o número de pessoas que não consome o mínimo

necessário de energia alimentar diária, que corresponde à quantidade de calorias

necessárias, de acordo com o sexo e a idade para realizar uma atividade ligeira e ter boa

saúde.

O panorama das pessoas que passam fome está a transformar-se devido a circunstâncias

muito variadas. O ponto de viragem deu-se pelas repercussões da crise alimentar

(2006-2008) e da crise económica mundial que se iniciou logo depois (2009), e que

significaram um duro golpe para todas as pessoas que já sofriam de insegurança alimentar.

A maior parte das pessoas subnutridas encontra-se nos países em desenvolvimento,

sendo que 60% vive em sete países: Bangladesh, China, República Democrática do

Congo, Etiópia, Índia, Indonésia e Paquistão; 43% só na China e na Índia.

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