Os ataques a instalações da petroleira estatal Aramco na Arábia Saudita no fim de semana (14/09/19) provocaram uma disparada nos preços do petróleo, com o barril de Brent registrando nesta segunda-feira (16) a maior alta durante uma sessão desde a Guerra do Golfo, em 1991. Isso em meio a preocupações com a redução da oferta global da principal fonte de combustível do planeta e a elevação da tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã.

Os danos provocados pela ação do sábado (14), na qual foram usados supostamente drones, cortaram pela metade a produção do maior exportador mundial de petróleo. Ela ficou reduzida a de cerca de 5,7 milhões de barris por dia, o que representa mais de 5% do suprimento global atual

As incertezas geopolíticas e o risco de queda na oferta tende a manter os preços do barril de petróleo e dos combustíveis com viés de alta nos próximos meses, com impactos também nas bolsas e no comércio global.

O Ataque

Arábia Saudita afirma que armas usadas em ataque a petroleira foram fabricadas no Irã

Os ataques do sábado provocaram incêndios na unidade saudita de Abqaiq, a maior do mundo dedicada ao processamento de petróleo, e na instalação de Khurais.

Após o ataque, rebeldes iemenitas houthis – que são apoiados pelo Irã no conflito que acontece no Iêmen – disseram ter enviado dez drones para atacar as instalações da Aramco.

Desde 2015, a Arábia Saudita lidera uma coalização internacional que apoia o governo local do Iêmen e ataca os houthis. Em retaliação, os rebeldes têm feito vários bombardeios fronteiriços com mísseis e drones contra bases aéreas sauditas e outras instalações no país.

A Organização das Nações Unidas (ONU) e países ocidentais acusam Teerã de fornecer armas ao grupo, o que é negado pelo governo iraniano

Divergências entre Arábia Saudita e Irã

Por que a Arábia Saudita e o Irã não se entendem?

  1. Os dois países, que são vizinhos poderosos, disputam o domínio da região.
  2. A tensão entre as nações, que dura décadas, é acentuada por diferenças religiosas. Os países seguem ramos distintos do islã: o Irã é majoritariamente xiita, enquanto a Arábia Saudita se vê como a potência sunita dominante.
  3. Esse embate religioso se reflete no mapa do Oriente Médio, onde países com maioria sunita ou xiita buscam, respectivamente, a Arábia Saudita ou o Irã em busca de alianças.
  4. Historicamente, a Arábia Saudita, uma monarquia e berço do islã, se vê como líder do mundo muçulmano. Mas essa posição foi desafiada em 1979 pela Revolução Islâmica no Irã, que criou outro tipo de Estado na região: um tipo de teocracia revolucionária, que tinha o objetivo explícito de exportar o modelo além de suas fronteiras.

Defesa

Como pôde a Arábia Saudita , país com o terceiro maior orçamento militar do mundo e seis batalhões de sistemas antimísseis americanos Patriot , fracassar na defesa do coração da indústria petrolífera da qual o reino tanto depende?

A eficácia da máquina militar saudita há muito é questionada, apesar de o país ter gasto US$ 83 bilhões em defesa no ano passado, comparados a US$ 45 bilhões da Rússia e US$ 20 bilhões do rival regional Irã. A formidavelmente bem equipada Força Aérea do reino tem bombardeado os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, no vizinho Iêmen desde 2015, mas até agora fracassou em virar a guerra civil a favor dos aliados dos sauditas.

Até que as tensões entre EUA e Irã diminuam, o risco de mais ataques possivelmente permanecerá. Em meses recentes, os EUA acusaram o Irã de sabotar navios-tanque carregando petróleo pelo Estreito de Ormuz, enquanto drones reivindicados pelos houthis atacaram estações de bombeamento do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita em maio, e o campo de petróleo de Shaybah em agosto.

Os iranianos tentaram por diversas vezes elevar os preços do petróleo. Eles querem mostrar para o mundo que o preço do bloqueio dos EUA à sua capacidade de produzir petróleo é alto.

EUA


Reservas Estratégicas

Trata-se de um “ataque deliberado” à economia mundial e ao mercado de energia. Donald Trump, autorizou a reserva estratégica de petróleo a fornecer petróleo bruto, se necessário, diante do corte de produção causado pelo ataque com drones a essas instalações.

Guerra?

Trump ameaça ação militar em defesa dos sauditas e sugere que Irã é o responsável pelos ataques as refinarias e campo de petróleo. Donald Trump afirma que foram misseis e drones que vieram do norte e, não do Iêmen!

Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estão " com armas preparadas " para responder aos responsáveis pelos ataques a duas das principais instalações de produção e processamento de petróleo da Arábia Saudita, que fizeram o preço do petróleo disparar no mercado internacional. Teerã nega participação

Os EUA enviarão reforços militares para a Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos,a fim de melhorar a sua habilidade de autodefesa". O Pentágono não falou em ataques militares na região, onde já mantém soldados.

"EUA não buscam um conflito com o Irã", mas alertou que "há muitas outras opções militares disponíveis".

O chefe do Pentágono explicou que, após os ataques, a Arábia Saudita "pediu apoio internacional para ajudar a proteger a grande infraestrutura do reino", assim como fizeram os Emirados Árabes Unidos.

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