Leia um trecho da apuração exclusiva dos repórteres Duda Teixeira e Juymar García, de Caracas:

A casta de privilegiados que pode se dar ao luxo de reservar uma mesa no Hotel Humboldt (por 900 dólares) é uma cria do socialismo. No governo de Hugo Chávez, seus membros eram conhecidos como “boliburguesia”, neologismo que mescla bolivarianismo e burguesia. Para classificar essa burguesia, os venezuelanos criaram denominações que levam em conta a origem das fortunas. O maior subgrupo é o dos cadiveros. Trata-se dos que enriqueceram com a Comissão Nacional de Administração de Divisas, a Cadivi. A maior parte dos seus integrantes era dona de firmas fantasmas que nem sequer tinham sede. É o que os venezuelanos chamam de “empresas de maletín”. Eles pediam dólares à Cadivi para importar alimentos. Com o setor produtivo da Venezuela totalmente falido, a importação estatal de produtos tornou-se fundamental para manter o padrão de vida da população. Os cadiveros, porém, superfaturavam as mercadorias ou simplesmente não compravam nada no exterior. Os dólares que receberam do governo foram desviados para contas bancárias em paraísos fiscais. “São essas contas que financiam grande parte da gastança da elite de Maduro. Tais fortunas não surgiram agora. Elas foram acumuladas durante os anos de chavismo”, diz o cientista político venezuelano Manuel Malaver. Um detalhe que não pode faltar: entre 2006 e 2013, quem chefiou a Cadivi foi o coronel Manuel Barroso, escolhido por Maduro para ser o adido militar na embaixada da Venezuela em Brasília, como Crusoémostrou em novembro. Ele é acusado de ter participado do desvio de nada menos que 20 bilhões de dólares…

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