Usina de Itaipu, a Super Usina Hidrelétrica

No dia 5 de maio de 2014 a usina hidrelétrica de Itaipu – maior geradora de energia limpa e renovável do planeta comemorou 30 anos do início de operações no rio Paraná, divisa entre Brasil e Paraguai. Hoje, superada pela usina chinesa de 3 Gargantas, no rio Yang Tse Kiang, continua sendo a mais importante do país, por atender a região mais populosa e desenvolvida do Brasil.Em 2015, superou novamente a produção da concorrente chinesa.

No dia 30 de dezembro de 2013 , suas dezoito turbinas registraram mais um recorde planetário com a geração de 98 milhões e 287 mil Megawatts/Hora, superando pelo quarto ano seguido a produção de sua grande rival, a hidrelétrica de Três Gargantas, cuja geração máxima atingiu 79,5 milhões de MW em 2009.

A gigante chinesa, sobre o rio Yang Tsé, é a maior do mundo em capacidade de geração, mas desde que iniciou as operações não conseguiu superar a performance da binacional Itaipu.

ParâmetrosItaipuTrês Gargantas
potência instalada12.600 MW18.200 MW
produção efetiva de energia elétrica93 bilhões de kWh/ano84 bilhões de kWh/ano
área inundada pelo reservatório1.400 km²1.000 km²
Internet: www.itaipu.gov.br

Sua construção não apenas consagrou a excelência da engenharia brasileira, mas significou um momento fundamental para o crescimento brasileiro. O mundo enfrentava a crise do petróleo desde a Guerra do Yom Kippur em outubro de 1973;, a população brasileira crescia rapidamente superando os 90 milhões de habitantes; o Brasil crescia a uma taxa superior a 10% do PIB.

A necessidade pór energia era muito grande para manter o crescimento sem aumento de custo de importação. A ideia genial, foi a construção de Itaipu, utilizando-se de um bem renovável abundante no Brasil.

No período de pouco mais de uma geração, a população de Foz do Iguaçú, onde se localiza Itaipu, passou de 50 mil para 240 mil e vive hoje com uma renda per capita 25% superior à média brasileira.

É possível que alguns de nossos leitores mais jovens se surpreendam com a longevidade do debate em torno do dilema “desenvolvimento econômico ou preservação do meio ambiente”. Um dos nossos mestres da USP, o professor Nicholas Georgescu Roegen nos ensinou que “o mundo era finito e que, um dia, o desenvolvimento iria ter que marcar um encontro com a realidade” .

As inteligentes soluções dadas aos problemas da preservação ambiental na construção de Itaipu e na usina de Tucuruí, no rio Tocantins, indispensável ao desenvolvimento do projeto Carajás, nos anos 70 e 80, foram fundamentais para a conscientização da sociedade.

Depois de duas décadas de abandono da vocação paraas grandes usinas, o governo do presidente Lula pode neutralizar os temores de que haveria danos ao ambiente, criando as condições para as obras das trêshidrelétricas amazônicas: Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira em Rondônia e Belo Monte, no rio Xingú, em território paraense. São elas que vão afastar a ameaça de um novo grande apagão – como o de 2001 - que fatalmente nos alcançaria já na segunda metade da presente década.

Aos ecologistas mais ansiosos é bom lembrar que ainda estamos a meio caminho do objetivo de garantir aos brasileiros três refeições por dia e que isso vai exigir um forte aumento na produção de alimentos e na oferta de energia limpa do potencial amazônico, região que carece de desenvolvimento e não pode continuar a ser olhada pelos brasileiros como uma espécie de “colônia” do Sul.

Antonio Delfim Netto é economista e ex-ministro de Planejamento e Agricultura