O vento da crise econômica assombra a Federação da Rússia:

Geógrafo Claudio Peppe

O rublo anda de mãos dadas com o preço do barril de petróleo e acaba sendo arrastado para a sua depreciação. Após as últimas estimativas da AIE (Agência Internacional de Energia) que cortaram novamente, pela quarta vez a previsão de demanda de petróleo Brent, aproxima-se do suporte de 60 dólares, caindo abaixo de 63 dólares por barril.

De acordo com o Banco Central russo, é muito provável que a inflação venha a ter dois dígitos no primeiro trimestre de 2015, um nível de dificuldade mais intenso à população, que já luta com uma economia em estagnação. Tanto é assim que Moscou tem visto uma corrida bancária real, justificada pelo medo de um retorno à crise de 99, que levou os russos a sacarem dinheiro de suas contas para trocar rublos por dólares ou para comprar necessidades básicas, antes que os preços dos alimentos e outros produtos primários inflacionem novamente.

O único consolo para os russos, no momento, é que a desvalorização da taxa de câmbio aumenta o valor contábil das receitas do petróleo, uma vez que são convertidos de dólares para rublos, mas os economistas dizem que estão preocupados com um colapso econômico que poderia arrastar a Federação da Rússia em uma grave recessão, afetando inclusive o planejamento geopolítico dos BRICS.

A desvalorização do petróleo ocorre frente a uma economia mundial que não cresce o suficiente para gerar demanda e, pela redução nas importações dos Estados Unidos, cujo investimento energético está focado no óleo e gás de xisto, vem afetando os mercados e commodities nas Bolsas de Valores.

Assim, Vladmir Putin, afirmou recentemente que a crise é mundial e não apenas russa, sendo que a Rússia, ainda paga o preço do boicote e embargo que vem sendo aplicado pela Europa e Estados Unidos devido à crise da Ucrânia, que segundo o ocidente, foi gerada pela Rússia.

O Brasil será afetado pela atual crise?

O Brasil, está inserido no processo da globalização, dependendo de investimentos internos e externos, mercado consumidor interno e externo, tecnologia nacional e estrangeira. Portanto, qualquer alteração nos mercados de forma prolongada, afetará o Brasil.

Commodities

Algumas commodities se destacam no Brasil: O açúcar, café, ferro e o petróleo Qualquer mudança brusca no mercado de commodities,, afeta sensivelmente a economia brasileira, pois predominam nas exportações produtos primários e importação de produtos industrializados, tecnologia e serviços.

Maiores Produtores de Petróleo

O mercado da commodity petróleo próxima a 60 US$/barril, está favorecendo aos países importadores, pelo menos em parte. Já os países exportadores, que dependem do petróleo como principal fonte de renda, estão entrando em crise econômica, como a Rússia e Venezuela, cabendo a OPEP, adequar à demanda antes que vire uma bola de neve. Já no Brasil, a esse preço, não favorece a exploração do pré-sal, cujo custo é superior a 60 US$ por barril.

Portanto, o ano de 2015 não será fácil para ninguém.