Capitalismo

  1. Quanto ao modo de produção, o capitalismo é um sistema socioeconômico caracterizado por:
    • economia de mercado,que é fundamentada na lei da oferta e da procura;
    • livre-iniciativa empresarial e livre concorrência;
    • produção e comércio, cuja finalidade é remunerar o capital investido na forma de lucro;
    • predomínio da propriedade privada dos meios de produção e distribuição;
    • trabalho assalariado e sociedade dividida em classes sociais.

A aproximação do oriente com o ocidente ainda na Idade Média favoreceu as atividades comerciais europeias, impulsionando a urbanização e geração de empregos.No século XV, o comércio já era um fator econômico em ascensão na Europa, caracterizando um novo modelo econômico em substituição do modo feudal

A passagem entre o modo de produção feudal e o capitalismo, já em sua fase industrial (século XVIII), é caracterizado pelo mercantilismo. Este surgiu com o fortalecimento da burguesia e com a centralização do poder nas mãos do rei, em detrimento dos senhores feudais.

A Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra, em meados do século XVIII, representou um avanço muito mais que uma mera mudança no sistema produtivo europeu:

A Revolução Industrial

A Revolução Industrial significou um marco entre o pré-capitalismo caracterizado pelo comércio em forma absoluta – e a produção manufatureira, desenvolvida com a apropriação dos meios de produção pelos burgueses e a definitiva separação entre estes e a classe trabalhadora, agora chamada proletariado.

A partir da Revolução Industrial, o sistema capitalista surge ainda em sua fase industrial, mas já marcado pela divisão da sociedade em classes, devido as diferenças de ganho e, pela produção fortalecida pelos interesses do capital.

A dinamização da produção, veio favorecer a passagem da produção manufatureira, para a mecanizada (máquinas a vapor), teve o início registrado na Inglaterra e posteriormente se estendeu a outros países europeus. Essa mudança na produção provocou um aumento no consumo de matérias-primas e da necessidade de novos mercados consumidores, levando a expansão comercial já no século XIX. A concorrência entre as nações industrializadas gerou grandes diferenças e divergências, culminando, na primeira metade do século XX, em grandes guerras (1914/1918 e 1939/1945), que envolveram praticamente as grandes nações de todo o mundo, especialmente Inglaterra, França, Alemanha, Japão, Estados Unidos e União Soviética.

Socialismo

É um sistema socioeconômico caracterizado pela economia planificada, fundamentada nos planos estatais e na propriedade social (estatal e/ou coletiva) dos meios de produção, com produção voltada para o bem-estar social, ausência da noção de lucro, do trabalho assalariado e da divisão de classes sociais.No século XIX, ainda durante a fase do capitalismo industrial, surgiram na Europa, com base na análise do próprio sistema capitalista, propostas de formas alternativas de produção e das sociedades nelas embasadas.Entra os muitos teóricos desse período, destacam-se Karl Marx e Friedrich Engels, que, mediante a análise histórico-econômica do capitalismo, concluíram que mudanças seriam inevitáveis. Karl Marx: formulador da teoria do socialismo científico, do materialismo histórico dialético, com Friedrich Engels.

Para Karl Marx, “pai do socialismo científico”, haveria duas fases no processo revolucionário socialista: num primeiro momento, os trabalhadores tomariam o poder, implantando a "ditadura do proletariado", em que o Estado assume todo o processo produtivo, tornando-se responsável por fábricas, máquinas, administração, saúde, segurança, planificação etc. Essa fase serviria de preparação para um momento final, o comunismo, quando o Estado seria extinto e formar-se-iam "comunidades" igualitárias capazes de prover todas as necessidades dos indivíduos.

Devemos considerar, porém, que a proposta de um mundo verdadeiramente comunista nunca deixou de ser uma postulação teórica. Os movimentos socialistas ganharam força na Europa a partir de meados do século XIX e início do século XX, culminando com a Revolução Russa de outubro de 1917 quando, lidera dos por Lênin, Stalin e Trotsky, um grupo de comunistas, chama dos bolcheviques, tomou o poder na Rússia, dando origem ao primeiro país socialista do mundo.

Se, após a Segunda Grande Guerra, a terça parte das nações do globo adotava o regime socialista, até o conflito apenas a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) o adotava. Essa mudança de sistema econômico ocorreu em alguns países de forma revolucionária e quase sempre sangrenta, como em Cuba, China, Vietnã etc.; em outros, por determinação e interesse político, como na Líbia e na Síria, ou ainda como no caso do Leste Europeu, pela invasão e imposição soviética. Enfim, com esse histórico de ausência de democracia pluripartidária,o que a maioria das nações socialistas conhecia de fato era uma ditadura do Partido Único, que era ideologicamente justificada e privilegiava a “classe” política dominante, ou seja, a liderança do partido único.

Esse quadro de democracia às avessas se mostrou prejudicial e incapaz de solucionar questões básicas, como o suprimento das necessidades mais comuns de grande parcela da população.

Mudanças, no entanto, começaram a ocorrer em meados da década de 1980 na URSS. Sufocada por uma crise econômica sem precedentes, a URSS precisava mudar. Colocada em prática por Mikhail Gorbatchev, a política de reestruturação econômica – a perestroika – necessitava de liberdade política, fazendo-se acompanhar pela glasnost (abertura política). Os países alinhados militar e afinados economicamente com a URSS mudaram também, e mesmo aqueles que formavam um grupo de socialistas desagrega dos da URSS, como a República Popular da China, Albânia e Iugoslávia mudaram, embora em ritmos diferentes.

As políticas de liberalização propostas por Mikhail Gorbatchev provocaram o questionamento do socialismo soviético e agitações internas na URSS. Após um frustrado golpe reacionário em agosto de 1991, comandado por grupos do Partido Comunista soviético, a URSS entrou em colapso e se extinguiu em dezembro de 1991.

A federação soviética separou-se, cada República tornou-se independente e passou a adotar o capitalismo e o regime político pluripartidário. O retorno do capitalismo deu-se também nos países do Leste Europeu, formadores da antiga “Cortina de Ferro”. Essa mudança gerou, entretanto, problemas como elevadas quedas no sistema produtivo, o que reduziu o PIB e a renda per capita. Em 2008, Cuba e Coreia do Norte eram os únicos países a manterem o socialismo com parâmetros semelhantes aos soviéticos, enquanto a China, controlada politicamente pelo Partido Comunista, defendia a manutenção do socialismo com economia de mercado.

Capitalismo e Socialismo

Resumo

  1. Características Gerais do Sistema Capitalista
    • Predomínio da propriedade privada ou particular dos meios de produção
    • Economia de mercado, regida pelas relações entre a oferta e a procura.
    • Sociedade dividida em classes, sendo: – burguesia a que possui os meios de produção; – proletariado a que vende sua força de trabalho em troca de salário.
    • O objetivo da produção é, fundamentalmente, o lucro.
  2. Evolução do Modo de Produção Capitalista - Capitalismo comercial (pré-capitalismo)
    • Séculos XV-XVIII. • Grandes navegações/expansão do sistema colonial.
    • Colonialismo/descobrimento da América. • Mercantilismo/metalismo.
    • Manufaturas. Capitalismo industrial • Séculos XVIII-XIX.
    • Militarismo/imperialismo/nacionalismo/racismo.
    • Neocolonialismo/partilha da África e Ásia.
    • Maquinofaturas/industrializados. Capitalismo financeiro ou monopolista
    • A partir do fim do século XIX.
    • Formação de grandes monopólios, conglomerados financeiros.
    • Intervenção do Estado na economia.
    • Empresas multinacionais e transnacionais.
    • Internacionalização da produção, comunicações, comércio e moeda.
    • Recentemente: globalização, blocos econômicos.
  3. Características Gerais do Sistema Socialista
    • Predomínio da propriedade pública ou estatal dos meios de produção. • Economia centralizada esta tal, regida pela planificação estatal.
    • Ausência de classes sociais, pois os meios de produção são controlados pelo Estado. A remuneração do trabalho, teoricamente, é feita segundo as necessidades de cada um, considerando-se, é claro, sua qualidade.
    • A produção é voltada funda mentalmente para atender, direta ou indiretamente, às necessidades da sociedade.

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Exercícios

1. Sobre as alternativas abaixo, assinale a incorreta.

a) Nos países capitalistas, a sociedade estava dividida em classes

sociais: a burguesia, que detinha os meios de produção, e o

proletariado, que, para sobreviver, vendia a sua força de trabalho

como uma mercadoria.

b) Nos países capitalistas subdesenvolvidos, a diferença entre as classes sociais é maior que a diferença nos países desenvolvidos

capitalistas.

c) Nos países socialistas, a sociedade não está divi dida em classes. A

economia é planificada e a produção destina-se ao abastecimento

das neces sida des sociais.

d) Nos países de economia planificada, a burguesia determinava o

planejamento em função de suas necessidades.

e) Nos países capitalistas, a produção, de certa for ma, está subordinada

às necessidades do mercado (lei da oferta e procura).

RESOLUÇÃO:

Resposta: D

OBS. Não há burguesia nos países de economia planificada (socialistas), caracterizada pela ausência de classes sociais.

2. Analise as proposições.

I. No sistema capitalista, existem duas classes sociais opostas e

antagônicas: a burguesia e o proletariado. A primeira é proprietária

dos meios de produção; a segunda explora o único recurso de que

dispõe, que é sua força de trabalho.

II. O antagonismo entre a burguesia e o proletariado, na sociedade

capitalista, expressa-se pelas suas ideologias. Sendo a burguesia a

classe econômica dominante, ela domina também a política, a

cultura, a educação e a produção de ideias e valores da sociedade.

Assinale a alternativa correta:

a) l e ll são verdadeiras.

b) Somente I é verdadeira.

c) Somente II é verdadeira.

d) l e ll não são verdadeiras.

e) No sistema capitalista, existe somente uma classe social.

RESOLUÇÃO:

Resposta: A

3. (PUCCAMP) – Um dos mais graves problemas e talvez o maior

desafio para o século XXI é o desemprego estrutural que ocorre em

maior ou menor escala em todos os países do mundo.

Entre os fatores responsáveis pelo desemprego, podem-se citar

a) a crise do sistema socialista e a introdução de novas tecnologias

poupadoras de mão de obra.

b) o crescente emprego de mão de obra feminina e o fortalecimento

dos sindicatos e agremiações de trabalhadores.

c) a introdução de novas tecnologias poupadoras de mão de obra e o

deslocamento da produção para áreas com custo de mão de obra

mais baixo.

d) a supressão de leis de proteção ao trabalhador e a crescente crise

do sistema capitalista.

e) o fortalecimento das políticas do Estado de bem-estar social e o

deslocamento da produção para áreas com mão de obra barata.

RESOLUÇÃO:

Resposta: C

OBS. A mecanização, robotização e tecnologia substituem mão de obra de forma abrangente.As tecnologias, geram mão de obra especializada, porém, não numerosa.

4. (VEST-RIO) – Cortando fronteiras com capital e tecnologia, as

multinacionais otimizam mercados, recursos naturais e políticos em

escala mundial. Uma nova forma de acumular lucros, uma nova divisão

internacional do trabalho.

(KUCINSKI, Bernardo. O que são multinacionais. Brasiliense, 1985.)

A nova divisão internacional do trabalho apresentada no texto tem como

causa a seguinte atuação das multinacionais:

a) Aplicação de capitais em atividades agropastoris nos países periféricos.

b) Implantação de filiais em países de mão de obra barata.

c) Participação em mais de um ramo de atividade.

d) Importação de matérias-primas do Terceiro Mundo.

e) Exploração de novas fontes de energia.

RESOLUÇÃO:

Resposta: B

5. (FATEC) – No atual processo de globalização econômica, vem ocor -

rendo uma verdadeira divisão econômica e geopolítica do mundo, que

distingue centros de inovação tecnológica, áreas de difusão de indústria

e agroindústria avançadas, áreas em desindustrialização, áreas com

economia tradi cional em decadência e áreas a serem preservadas. Sob

o comando dos grandes agentes econômicos capita listas transna cionais,

o território dos países é utilizado intensi vamente, afetan do o poder dos

Estados e alienando a vida das sociedades que vivem nesses territórios.

Analise as afirmações a seguir como elementos em jogo no processo

de globalização descrito.

I. Hegemonia dos processos produtivos baseados na 3.a Revolução

Industrial.

II. Macropolíticas estatais controladoras dos fluxos eco nô micos e

protetoras da mão de obra.

III. Divisão mundial do trabalho entre centros hege môni cos e periferias

e semiperiferias.

IV. Tendência ao aumento das áreas naturais preservadas pelo

“desenvolvimento sustentável” capitalista.

Pode-se assinalar, como verdadeiros elementos desse pro cesso de

globalização, o que está contido nas afirmações

a) I, II, III e IV.

b) I, II e III, apenas.

c) I e III, apenas.

d) II e IV, apenas.

e) IV, apenas.

RESOLUÇÃO:

O processo de globalização capitalista consolidou-se após a Segunda Guerra Mundial, fundado na preva lência dos processos produtivos característicos da Terceira Revolução Industrial – a

acumulação flexível, a automação das linhas de produção e a terceirização da produção.

Neste contexto, os fluxos econômicos são, em tese, livres do poder controlador do Estado, embora este busque minimamente proteger a mão de obra, o meio ambien te e a produção, de um modo

geral, da concorrência externa desleal.

6. (MACKENZIE) – Desde a crise financeira mundial, deflagrada nos

EUA em 2008, muitos governos têm adotado medidas para a sua

superação. Assinale a alternativa correta sobre o tipo de medidas de

política econômica adotadas no Brasil.

a) Liberal clássico, com ampla abertura a importações que visam

dinamizar o mercado interno e a competição com empresas

nacionais.

b) Neoliberal, em que o Estado amplia a sua participação em setores

considerados estratégicos.

c) Socialista, em razão da ideologia esquerdista dos integrantes do

governo.

d) Desenvolvimentista, em que o Estado utiliza meca nismos como

isenção de impostos, redução de juros e aumento do protecionismo.

e) Globalizada, em que o país se torna aberto a qualquer tipo de

movimentação financeira com outros países, sem qualquer restrição

legal.

RESOLUÇÃO:

O Brasil é definido hoje como um país emergente, com economia expandida e que possui certa liderança eco nômica regional. Nesse sentido, o modelo econômico aqui adotado tem sido o

desenvolvimentista, sobre tudo por meio de esforços para atrair investimentos externos, fazendo uso, por exemplo, da renúncia fiscal (isenção ou redução de impostos); da redução de juros, com o

objetivo de aquecer o consumo; e de práticas protecionistas que reduzem a possibilidade de déficit comercial.

Resposta: D

7. (UNESP) – O processo de inserção do neoliberalismo enquanto

ideologia e corrente de pensamento para a condução das políticas e

dos recursos públicos no território brasileiro se deu de forma lenta e

gradual, num período que com preende quase três décadas.

(Mirlei Fachini Vicente Pereira e Samira Peduti Kahil. www.ub.edu.

Adaptado.)

Indique dois fundamentos da ideologia neoliberal e dê um exemplo de

política ou prática neoliberal implantada no Brasil a partir dos anos 1990,

apontando suas conse quências à sociedade e à economia brasileiras.

RESOLUÇÃO:

O neoliberalismo se baseia no retorno às ideias do liberalismo econômico que dominou a economia do mundo capitalista até a crise de 1929. Ele se pauta pelo retorno ao predomínio da livre iniciativa sobre o controle estatal da economia, a desregulamentação de leis que possam bloquear ou limitar o incremento do lucro (aumentando a especulação financeira), a abertura ao mercado externo e a transferência de empresas estatais para osetor privado.

A partir do governo Collor de Melo e, notadamente, no governo de Fernando Henrique Cardoso, o Estado brasileiro passou a desburocratizar parte da eco nomia, destacando-se nesse processo a

abertura ao mercado externo, com o incremento das importações.

Essa aber tura provocou uma maior concorrência com os produtos de origem brasileira (principalmente a concorrência de produtos chineses e do leste asiático), causando o fechamento de diversas empresas nacionais (aquelas que não se modernizaram para concorrer), resultando em redução na oferta de empregos; por outro lado, a maior concorrência forçou uma melhoria na qualidade dos produtos fabricados internamente.

Outra medida adotada foi a venda de diversas empresas estatais, como a Companhia Vale do

Rio do Doce (antiga CVRD, atualmente Companhia Vale), entre outras, que, com isso, desnacionalizou corporações genuinamente brasileiras. Por outro lado, essas empresas, uma vez privatizadas,dinamizaram suas administrações, reduzindo pessoal ocupado (o que resultou em desemprego). Mesmo assim, esse dinamismo passou a render maiores dividendos, aumentando sua lucratividade.