Por Claudio Peppe


Este documento tem por finalidade, mostrar que no período Militar que se iniciou em 1964, existia uma "Imprensa Alternativa", paralela a oficial, "A Imprensa Nanica"

Na imprensa oficial, existia a figura do censor nas ante-salas das redações dos jornais.

As publicações relacionadas às guerrilhas eram severamente censuradas, justificadas pela segurança nas investigações em andamento.Assim como, músicos e artistas, rádio e televisão, tinham que passar pela censura, determinando-se o público alvo por faixa etária.

Já na Imprensa Nanica, embora houvesse fortes perseguições, as notícias circulavam, informando a população, onde a imprensa oficial deixava a desejar.Assim,surgiram grandes jornalistas como o filosofo Vladimir Herzog e Paulo Francis, um jornalista, crítico de teatro, diretor e escritor brasileiro. Trabalhou em vários jornais, entre eles, Última Hora, O Pasquim, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo.

As origens e atuações da Imprensa Nanica

Texto e interpretação histórica

Por Betina Lodi


Na década de 60 o Brasil passou por um momento delicado no governo, quando a crise política se arrastava desde a renúncia do presidente Jânio Quadros no ano de 1961. Na época o vice-presidente era João Goulart, o qual acabou assumindo a presidência em um clima atípico e tenso. O governo de Jango teve um perfil marcado pelo início das organizações sociais quando trabalhadores, organizações populares e estudantes ganharam espaço, causando grande preocupação na elite conservadora.

As tensões sociais, as revoltas e o clima político se agravavam cada dia mais. Em 31 de março de 1964 tropas saíram às ruas e para que não ocorresse uma guerra civil, Jango se exilou no Uruguai. Foi então que ocorreu o maior Golpe de Estado da história, quando os militares tomaram o poder.

A partir daí deu-se início a fase da Ditadura militar, que é o poder político efetivamente controlado por militares, e que fez parte da história brasileira pelo período de 1964 até 1985. Essa longa etapa foi marcada pela desorganização, falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, perseguição à política e repressão a todos que se opunham ao regime militar.

Em meio à tamanha opressão, a população também teve que aceitar a repressão aos movimentos sociais e manifestações de oposição, assim como a censura aos meios de comunicação, que não podiam citar nada sobre o tema. Entre todos estes acontecimentos entrou em cena a chamada imprensa nanica(chamada assim devido ao formato pequeno, de tabloide), alternativa, que visava dar voz a quem não podia tê-la.

O jornalismo alternativo nada mais é que a prática jornalística feita por veículos de comunicação e instituições fora do campo da mídia, e passou a existir justamente para cobrir fatos e informações ignoradas ou negligenciadas pela mídia soberana.

Entre 160 jornais nasceram durante o regime militar e os temas abordados eram bem diversificados transitando pelo feminismo, ecologia, sátiras políticas, culturais etc. Todos eles carregavam algo em comum: a determinada oposição ao governo.

Como muitos no Brasil eram reféns do regime militar, a única forma possível de a sociedade tomar conhecimento do que estava acontecendo era através da imprensa nanica. Nos periódicos eram noticiadas as formas de torturas, os graves crimes praticados no país, a conivência do Estado com grupos nacionais e multinacionais que controlavam a economia, a violação dos direitos humanos, a dívida externa etc.

Esses tabloides publicavam semanalmente, quinzenalmente, mensalmente e eram extremamente perseguidos pelos militares. Entre eles, destacaram-se “O Pasquim” e “Opinião” do Rio de Janeiro, “Movimento” representando o estado paulista e “Resistência”com origem em Belém do Pará.

Em homenagem a estes jornalistas que enfrentaram o regime militar, cito Vladimir Herzog. Este homem se formou em filosofia pela USP e após sua graduação, trabalhou em importantes órgãos da imprensa no Brasil. Na década de 70, assumiu a direção do departamento de telejornalismo da TV Cultura e teve outras importantes atuações. Em sua maturidade, Herzog passou a atuar politicamente no movimento de resistência contra a ditadura militar, como também no Partido Comunista Brasileiro.

Em 24 de outubro de 1975, época em que Vladimir era diretor da TV Cultura, agentes do II Exército o convocaram para prestar depoimento sobre ligações que ele mantinha com o Partido Comunista Brasileiro (considerado ilegal pelos militares). No dia seguinte Herzog compareceu a convocação, foi espancado e enforcado com o seu próprio cinto.

Vladimir Herzog foi um grande nome da forte oposição ao regime militar e marcou a história por sua busca incessante por justiça veiculada na imprensa alternativa.

“Quando perdemos a capacidade de nos indignarmos com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerarmos seres humanos civilizados”. (Vladimir Herzog)

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