O Deserto no Cinema

Foto de capa: Dr Sérgio Tomaz Schettini e Lúcia Davoli

O Deserto de Wadi Rum é talvez a estrela de cinema mais famosa da Jordânia.

Suas distintas areias alaranjadas e dramáticas montanhas de arenito são inconfundíveis no épico Lawrence da Arábia, de 1962.

Famoso por ter servido de locação para o clássico filme Lawrence da Arábia, o deserto de Wadi Rum, na Jordânia, voltou a emprestar sua paisagem para o cinema hollywoodiano produzir Perdido em Marte (2015), com Matt Damon.

O Deserto na UNESCO

O Wadi Rum, um dos mais belos desertos do Médio Oriente, acaba de entrar para a lista da UNESCO como Patrimônio Mundial.

A inscrição do Wadi Rum como Património Mundial na lista da UNESCO baseia-se, obviamente, em razões menos circunstanciais, em factores que combinam mais perenes aspectos naturais e culturais.

Os critérios da classificação naturais centram-se em dimensões como a flora, que combina três tipos característicos de regiões desérticas, e uma paisagem absolutamente original em todo o Oriente Médio, com gargantas e vales extensos alternando com formações rochosas de imponente porte e formas trabalhadas pela erosão elevando-se entre grandes dunas de areia, que as radiações do crepúsculo parecem metamorfosear em rubras brasas.

Mas para que as areias do deserto se cubram de tonalidades avermelhadas não é forçoso esperar pelo ocaso. Saiba a fortuna premiar-nos com a perspectiva justa e gargantas como a do Wadi Umm Ashreen acabam por se revelar como um tapete rubro estendido entre penedias acinzentadas.

A história cultural é outro aspecto distinguido pela decisão da UNESCO. A zona é mencionada tanto no Velho Testamento como no Corão, atribuindo-se, na primeira dessas narrativas, aos descendentes de Noé a escolha da região para se instalarem.

À entrada do Wadi Rum há um centro de acolhimento e uma dezena de quilômetros a seguir fica o único aglomerado populacional, a pequena aldeia de Rum. Há na região três tribos de beduínos (Zalabia, Zuwaydeh e Swalhiyeen), que se conservam, pelo menos em parte, semi-nômadas, habitando alguns em tendas do mesmo gênero que é possível observar noutras regiões da Jordânia.

Qualquer uma das tribos oferece serviços autorizados de exploração das respectivas áreas (de jipe ou de camelo, sobretudo), sendo a parte central do Wadi Rum a área de movimentação da tribo Zalabia.

O afluxo de turistas a esta área outrora isolada aumentou substancialmente as fortunas financeiras do povo beduíno, e é comum ver pessoas locais usando telefones celulares e dirigindo veículos com tração nas quatro rodas; muitos também têm wi-fi e computadores para administrar suas empresas de turismo de aventura. No entanto, os beduínos não abandonaram sua cultura e sua famosa hospitalidade.

A aldeia isolada de Wadi Rum consiste em várias centenas de habitantes beduínos com suas barracas de cabras e casas de concreto, uma escola para meninos e outra para meninas, algumas pequenas lojas e a sede da Patrulha do Deserto.

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