No Brasil

As reservas brasileiras são compostas pelo carvão dos tipos linhito e sub-betuminoso. As maiores jazidas situam-se nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As menores, no

Paraná e São Paulo. As reservas brasileiras ocupam o 10o

lugar

no ranking mundial, mas totalizam 7 bilhões de toneladas, correspondendo a menos de 1% das reservas totais. A Associação

Brasileira do Carvão Mineral (ABCM) calcula que as reservas conhecidas poderiam gerar hoje 17 mil megawatts (MW).

Seja pelo alto custo e pelas dificuldades de transporte, seja

porque o carvão se constitui em fator estratégico para a segurança nacional (por ser a principal fonte geradora de energia

em vários países), o comércio internacional do mineral é pequeno frente ao porte das reservas e produção. Apenas cinco

países dominam este mercado: Austrália, Rússia, Indonésia,

África do Sul e Colômbia.

A maioria das transações concentra-se na Ásia e na Oceania,

onde estão os grandes exportadores e importadores. Assim, a

maior parte do carvão exportado navega pelo Oceano Pacífico.

Para o carvão que trafega pelo Oceano Atlântico – e que, por

questões logísticas, atenderia ao Brasil –, os principais exportadores são África do Sul e Colômbia, enquanto os maiores importadores são Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.

Do volume de reservas, o Rio Grande do Sul responde por

89,25%; Santa Catarina, 10,41%; Paraná, 0,32% e São Paulo,

0,02%. Somente a Jazida de Candiota (RS) possui 38% de

todo o carvão nacional. Mas o minério é pobre do ponto de

vista energético e não admite beneficiamento nem transporte, em função do elevado teor de impurezas. Isto faz

com que sua utilização seja feita sem beneficiamento e na

boca da mina.

GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL E NO MUNDO

No Brasil, o minério representa, no entanto, pouco mais

de 1,5% da matriz da energia elétrica. Em 2007, ano em

que 435,68 TWh foram produzidos no País, o carvão foi

responsável pela geração de 7,9 TWh, a partir da operação de usinas termelétricas que estão localizadas na região Sul, nas proximidades das áreas de mineração

O carvão responde pela maior parte da produção da eletricidade em vários países. Por exemplo, China e Estados Unidos que,

segundo a IEA, em 2006 produziram mais da metade dos 7.775

terawatts-hora (TWh1

) gerados no mundo. Além disso, países

como Alemanha, Polônia, Austrália e África do Sul usam o carvão

como base da geração de energia elétrica devido à segurança de

suprimento e ao menor custo na comparação com outros combustíveis.

No Brasil, o minério representa, no entanto, pouco mais

de 1,5% da matriz da energia elétrica. Em 2007, ano em

que 435,68 TWh foram produzidos no País, o carvão foi

responsável pela geração de 7,9 TWh, a partir da operação de usinas termelétricas que estão localizadas na região Sul, nas proximidades das áreas de mineração .

Essa aplicação restrita é resultante de fatores como a vocação brasileira para utilização de fontes hídricas na produção

de energia elétrica e a baixa qualidade da maior parte do

carvão nacional, o que impede o seu transporte por grandes distâncias e afeta o grau de rendimento da usina termelétrica – uma vez que a quantidade de energia produzida é

inferior àquela obtida com carvões de alto poder calorífico.

Além disso, também há restrições de natureza geopolítica

(dependência de importações, por exemplo) e entraves tecnológicos e econômicos que se refletem no custo da geração da eletricidade. Há 20 anos, as pesquisas na área do

carvão no Brasil estão virtualmente paralisadas.

Ao projetar a diversificação da matriz nacional, o Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica (PDEE 2006/2015 –

MME/EPE, 2006) prevê a expansão da utilização do carvão.

Tanto que o Governo Federal destinou R$ 58 milhões do

Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a essas usinas. Dois empreendimentos já se encontram em construção

e devem entrar em operação até 2010 na região Sul: Jacuí

e Candiota III, cada um com potência de 350 MW. Além disso, em julho de 2008 outros cinco projetos, com potência

total de 3.148 MW, se encontravam em fase de estudos de

viabilização técnico-econômica e socioambiental, segundo

registra o Plano Nacional de Energia 2030.

A maioria utilizará carvão nacional. No entanto, projetos de

usinas localizadas nas proximidades de portos que já detêm

estrutura para recepção e transporte do carvão destinado

à indústria prevêem utilizar o combustível importado.

É ocaso das termelétricas previstas para o Ceará e Maranhão,

que devem entrar em operação até 2012: Pecém (com 700

MW de potência instalada na primeira fase e 360 MW na segunda) e Termomaranhão, com 350 MW de potência

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